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21 abril, 2020

Dor lombar neuropática vs Lombalgia comum


- Análise da neuroanatomia e fisiologia nas lombalgias com componentes neurogénicas;

- Raciocínio de diagnóstico baseado em conhecimentos atuais vs diagnóstico do "síndrome do piramidal".




09 janeiro, 2013

Artrite Reumatóide e Osteopatia



A Artrite Reumatóide ( AR) é uma doença poliarticular ( sinovite), simétrica e inflamatória que afecta ambos os sexos, sendo mais frequente em mulheres. Tipicamente afecta a primeira articulação metacarpo-falângica, os pulsos, articulações proximais dos dedos das mãos e pés, mas numa fase tardia pode afectar a cervical ou qualquer articulação envolvida por uma membrana sinovial. Apesar de ser uma doença que afecta sobretudo as sinoviais, as manifestações sistémicas ( noutros órgãos) estão presentes na maioria dos pacientes. Inicia-se geralmente em adultos jovens e mulheres na perimenopausa , afectando indivíduos activos e causando por vezes incapacidade precoce para o trabalho e dependência de terceiros para as actividades de cuidados pessoais. 

A artrite reumatóide pode ser mais ou menos agressiva, dependendo se estão presentes: factores reumatóides séricos, o  HLA DR4, parâmetros inflamatórios (VS, PCR) mais elevados e o IGM positivo.

O tratamento Osteopático não cura e deve ser acompanhado com o tratamento da medicina convencional. Nas fases agudas e sub-agudas o Osteopata deve recomendar um programa de exercícios para melhorar a mobilidade articular ( como o CINDI), bem como usar diversas técnicas indirectas ( algumas técnicas podem ser contra-indicadas em doenças inflamatórias agudas) que permitam o aumento da mobilidade articular e alívio de dor ( que actuam também no sistema nervoso periférico e central), a drenagem de resíduos e o relaxamento dos tecidos peri-articulares ( músculos e fascias), muitas vezes rígidos.
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Uma dieta equilibrada e específica é desejável nos pacientes com AR  (http://osteopatia-aartedotoque.blogspot.com/2007/11/dieta-na-artrite-reumatide_10.html)  e o Osteopata deve dar conselhos básicos sobre nutrição, não substituindo naturalmente o especialista.


Ref: Foundations for Osteopathic Medicine, second edition, AOA; 
Dra. Margarida Cruz, Prof. Dr. Jaime C. Branco, Unidade de Reumatologia, Hospital Egas Moniz.

08 março, 2012

A Osteopatia pode intervir em

  • Alguns tipos de cefaleias (cervicogénica/ tensional).
  • Disfunções temporomandibulares (DTM).
  • Neuropatias (síndrome canal cárpico e outros, cervicobraquialgias, lombociatalgias, , neuralgia do trigémio, neuralgia facial, etc.)
  • Hérnias discais e outras discopatias.
  • Processos agudos e crónicos como dores musculares, degeneração articular (osteoartrose), tendinopatias, etc.
  • Capsulite adesiva do ombro, capsulite da anca e outras disfunções capsulares
  • Disfunções do sistema neuromúsculo-esquelético que alterem a homeostasia.



27 setembro, 2010

Síndrome do Canal ou Túnel Cárpico e Tratamento Osteopático


O síndrome do canal ou túnel cárpico significa uma compressão do nervo mediano ao nivel do canal cárpico, no punho, um canal osteo-fibroso formado pelos ossos do carpo e pelo ligamento transverso do carpo.

O nervo mediano é um nervo misto, isto é, dá informação motora a alguns músculos da eminência tenar e intrínsecos da mão, assim como, informação sensitiva da região palmar da mão, da face palmar dos 3 primeiros dedos e metade do 4º e da face dorsal dos 4 primeiros dedos. Para além do nervo mediano, passam no canal cárpico os tendões dos músculos flexores dos dedos, sendo que as tenossinovites a este nível, no quadro das doenças reumáticas, sejam a causa mais conhecida do síndrome. Estas lesões, das baínhas e cápsulas articulares, são com frequência decorrentes de doenças reumatológicas como o Lúpus, a Gota Úrica e a Artrite Reumatóide, da qual o síndrome do canal cárpico pode ser uma manifestação inicial(as articulações precocemente envolvidas na AR, são as metacarpo-falângicas proximais do 2º e 3º dedos). Para além da doenças reumatológicas como possível causa do síndrome do túnel cárpico, há que incluir outras condições clínicas endócrino-metabólicas, como a diabetes, o hipotiroidismo, a amiloidose, a insuficiência renal, a acromegália e factores vocacionais/traumáticos como a fractura do punho, actividades profissionais/ atléticas com movimentos repetitivos de hiper-extensão, hiper-flexão do punho, exposição ao frio ou vibração e outros. Afecta mais as mulheres entre os 40 e 60 anos de idade, mas no homem os factores traumáticos são mais relevantes.

A clínica inicia-se com dores e parestesias nocturnas, no território do nervo mediano (face palmar da mão e 3 primeiros dedos, com dor na eminência tenar e interfalângicas distais do 2º e 3º dedos e, interfalângica próximal do 1º dedo), sendo por vezes mais difusas com irradiação ascendente (face ventral do antebraço) e associadas a movimentos. Numa fase mais tardia pode haver diminuição da força, principalmente em movimentos de precisão ou pega e posteriormente atrofia muscular. O paciente queixa-se muitas vezes de "sensação de inchaço" nos dedos e dor no pulso.

O exame neurológico é indicador de diagnóstico, tendo o Osteopata que ter um conhecimento profundo de neurofisiologia, anatomia e experiência clínica para o fazer, aliás, como o faz com todos os pacientes com sintomas de neuropatia. Os estudos de electrocondução nervosa sensitiva e a electromiografia são os meios de diagnóstico mais importantes e devem ser feitos se houver suspeita de patologia reumatológica ou se o paciente não responder à terapêutica.

O tratamento Osteopático utiliza técnicas de  abertura do canal cárpico, técnicas neurodinâmicas para o nervo mediano, técnicas miofasciais de todo o membro superior, técnicas que mobilizam a coluna cervical e tecidos adjacentes para permitir um melhor fluxo nervoso do plexo braquial (conjunto de nervos que saem da cervical para o membro superior), técnicas de mobilização da coluna toráxica e costelas para reduzir o fluxo simpático, aumentar o fluxo arterial e reduzir a congestão linfática.

Referências:
Reumatologia Clínica- Mário Viana de Queiroz
Foundations for Osteopathic Medicine, second edition

14 abril, 2010

Dor no Cóccix- Coccidinia e Tratamento Osteopático

O Cóccix é o conjunto de vértebras (3 a 5) que termina a coluna vertebral e se articula com o osso do sacro através da articulação sacro-coccígea, unidos por um disco fibrocartilaginoso e pelos ligamentos sacro-coccígeos anterior, laterais, posterior e intercornais.

O nome Coccidinia significa dor na região do Cóccix, que pode ser de moderada a aguda e que pode ter muitas etiologias (causas) e por isso tratamentos diferentes. Regra geral os sintomas são desencadeados por se sentar em superfícies duras, por movimentos repetitivos (saltar, correr, no caso dos atletas), no movimento de levantar depois de estar sentado muito tempo, nas relações sexuais, sobretudo nas mulheres, e na defecação.

A causa mais frequente é o traumatismo directo sobre um eixo vertical do osso do cóccix ou tecidos adjacentes, (queda, acidente), cirurgia ou luxações por esforços repetitivos (atletas). A Coccidinia é complexa no seu diagnóstico e contexto biomecânico, sedo as mais frequentes causas de dor, a fractura sacro-coccígea, a subluxação do cóccix ou outras disfunções da cintura pélvica e sacro, o que levam à hiper ou hipomobilidade do cóccix.

A Coccidinia é 5 vezes mais frequente nas mulheres (justificado pela anatomia) do que nos homens.

A melhor forma de diagnóstico de subluxação do cóccix é o RX nas posições de pé e sentado.

A articulação sacro-coccígea de facto permite algum movimento (por isso tem ligamentos e um pequeno disco) e não é em fusão como descrito em alguns manuais.

O tratamento Osteopático varia e depende obviamente da causa da disfunção. Em termos gerais, o tratamento engloba técnicas específicas que permitam um relaxamento dos músculos e ligamentos adjacentes, um reequilíbrio do jogo articular da coluna lombar, bacia, coxo-femorais, sacro e cóccix, aconselhamento de exercícios domésticos.

É importante salientar que por vezes o tratamento tem de ser via interna, pelo recto, conforme a posição e restrição do cóccix, mobilizando o cóccix gentilmente numa orientação específica. Esta será uma abordagem que, não obstante os bons resultados, tem de ser consentida e devidamente explicada ao paciente.

05 julho, 2009

Tratamento Osteopático na Disfunção Temporo-Mandibular



Como as causas para a Disfunção Temporo-Mandibular (DTM) são multi-factoriais, o tratamento é algumas vezes multi-disciplinar, podendo envolver a ortodontia, neurologia, reumatologia, osteopatia, podologia e fisioterapia.
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Neste artigo, por razões óbvias, vou apenas desenvolver a abordagem do tratamento osteopático.
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A função do Osteopata (depois de uma anamnese cuidada) é a de avaliar a mobilidade da articulação temporo-mandibular (ATM), palpando restrições articulares e o comportamento dos músculos envolventes. Observa desvios laterais da ATM e faz uma avaliação da mobilidade craniana. Seguindo os princípios e filosofia Osteopática, as disfunções cranianas podem afectar a mobilidade da articulação, isto é, disfunções no osso temporal (rotação) ou no osso esfenóide podem causar disfunção na ATM pelas suas relações anatómicas, como referi no artigo anterior. Como o tratamento Osteopático é mestre na abordagem holística do paciente, as disfunções no sacro são também pesquisadas pela relação sacro/craniana.
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Depois de uma avaliação de todo o complexo articular e mecânico envolvente da ATM (ossos do crânio, ATM, músculos, sacro, mobilidade/restrições), o Osteopata está em condições de perceber onde são as disfunções e fazer um diagnóstico.
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O tratamento é gentil, sem dor e atinge rapidamente o alívio sintomático da dor e o aumento da amplitude articular. A técnica de "Muscle Energy" costuma ser bastante utilizada como tratamento directo, para além das técnicas cranianas. As disfunções do sacro são também tratadas com técnicas directas ou indirectas.
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A Osteopatia permite pensar de uma forma mais abrangente, olhando sempre para as relações estruturais e funcionais das estruturas, considerando um tratamento também ele mais abrangente e mais eficaz.
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Ref: Foundations for Osteopathic Medicine, 2nd

29 março, 2009

Tratamento Osteopático nas Cefaleias Tensionais e Enxaquecas

A maioria dos Osteopatas já teve de tratar pacientes cujas maiores queixas são as Cefaleias e uma vez que se determine ser seguro tratá-los, existem várias opções e abordagens no plano terapêutico Osteopático.

A abordagem Osteopática concentra-se no TMO (Tratamento Manipulativo Osteopático), mas não só. Os conselhos sobre nutrição, prescrição de exercícios terapêuticos, avaliação e educação da postura, assim como envolver o paciente no seu processo de cura, fazendo-o entender bem as causas e fisiologia da cefaleia é, ou deve ser, o procedimento do Osteopata, de resto como em todas as consultas.

Importa também referir que o TMO, não são só as manipulações de grau 5. O TMO engloba uma série de técnicas, orientadas a diferentes tecidos e/ou com diferentes objectivos. O que decide a (s) técnica (s) usada (s) são os dados recolhidos no exame.

Nas Enxaquecas o TMO é especialmente útil entre os surtos, uma vez que o paciente está mais tolerante ao tratamento manipulativo (directo, indirecto, miofascial, etc). Na fase aguda da Enxaqueca, um tratamento vigoroso, pode aumentar o fluxo de sangue a uma já inflamada região vascular, o que explica a exacerbação clínica que pode acontecer após tratamento. As técnicas indirectas suaves e a drenagem linfática e venosa são mais indicadas para a fase aguda. Como há um envolvimento do SN Autónomo, o Osteopata actua a técnica na região do SN Simpático da cervical baixa, toráxica alta, costelas e tecidos miofasciais relacionados.

No tratamento das Cefaleias Tensionais, o primeiro passo é o de identificar e eliminar as potenciais fontes que despertam os sintomas, como os dentes, maxilar (ATM), os seios perinasais, ossos cranianos e cervicais, os ligamentos e os elementos miofasciais associados. Contudo, todo o resto do corpo é examinado à procura de relações anatómicas que possam influenciar este quadro. Na acção terapêutica, a disfunção somática é constantemente identificada e tratada com TMO. Disfunções vertebrais, miofasciais, crânio-sacrais, locais e regionais, são comummente encontradas.

Um ensaio clínico randomizado e controlado por placebo (Bove G, Nilson, 1998, JAMA, 280: 1576-1579), que investigava a eficácia das manipulações quiropráticas nas cefaleias tensionais, concluiu que a manipulação vertebral não tem um efeito positivo neste tipo de cefaleias.

O tratamento desta, como da maioria das patologias, deve ser multi-disciplinar. Deve haver um aconselhamento do paciente em várias áreas terapêuticas e estudos de diagnóstico devem ser aprofundados se o paciente não estiver a responder ao tratamento Osteopático.

Ref: Foundations for Osteopathic Medicine, 2nd; Osteopathy- Models for diagnosis, Treatment and Practice

21 janeiro, 2009

Asma- tratamento Osteopático

Antes de tentar qualquer tratamento é importante que o Osteopata conheça a fisiopatologia e a biomecânica envolvente na Asma Brônquica.

Fisiopatologia


A Asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas e é definida por uma hiperactividade (crónica) dos tecidos pulmonares o que resulta numa constrição da árvore traqueobrônquica. Normalmente começa na infância e as suas manifestações evoluem de forma insidiosa, por episódios de exacerbação provocados pelos estímulos desencadeantes, como: ácaros, pólens, pêlos de animais, fungos, aspirina e outros anti-inflamatórios não-esteróides, exercício, stress emocional, etc. Por definição, as vias aéreas (árvore brônquica, alvéolos pulmonares, laringe) estão, de forma crónica, inflamadas e hiper-reactivas a estímulos "normalmente" inofensivos, provocando uma contracção das suas paredes , produzindo excesso de mucosa, broncoespasmo e edema. O estreitamento destas vias, provoca à passagem de ar, dificuldade na expiração e os sintomas característicos da Asma: pieira, dispneia, aperto do tórax e tosse. A cronicidade da Asma causa hipertrofia e fibrose do músculo liso dos brônquios, aumento do número de vasos sanguíneos na mucosa brônquica e a pulmões hiperventilados.

Observação

Na observação, o Osteopata foca-se principalmente nos mecanismos mecânicos da respiração, isto é, na relação entre a coluna toráxica, cervical, clavículas, esterno e escápulas umerais com o diafragma, na palpação dos músculos secundários respiratórios e faciais, muitas vezes assimétricos e de função comprometida, procurando sempre a disfunção osteopática em todas estas estruturas, palpando e pesquisando áreas de hipo e hipermobilidade.

Exame Semiológico

No exame do paciente asmático, o Osteopata presta atenção às estruturas directamente envolvidas na respiração:

-Vértebras torácicas e costelas (inervação do SN Simpático aos pulmões);

- Nervo Vago, alterações de "tónus simpático" Acessório e Frénico (inervação músculos pescoço, dos brônquios, vísceras do tórax e abdómen);

-Musculatura dos músculos acessórios da respiração e diafragma.
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Tratamento

O diagrama tem uma importância extrema e por isso a intervenção neste promove a:

» Melhoria dos mecanismos respiratórios.
» Reequilíbrio do SN Simpático e Parasimpático.
» Melhoria do fluxo linfático e neuro-imune

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O Osteopata deve realmente fazer um tratamento holístico no asmático. Procura as disfunções somáticas envolventes no mecanismo da respiração (articulações e músculos). É imperativo o uso de técnicas inibição ou facilitação (depende da disfunção somática) segmentar da torácicas altas, relacionadas com o fluxo nervoso parasimpático e simpático aos brônquios. O nervo Vago e Frénico tem grande importância no tratamento do paciente e por isso a coluna cervical e foramen jugular têm grande relevância neste ponto.
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O Osteopata deve ter uma abordagem multifactorial, isto é, combinar conselhos de exercício físico, de nutrição, de técnicas de relaxamento e conselhos ambienciais.
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Ref Bibliográficas: Danny Sher, Osteopath; Clinical Medicine-Kumar and Clark; Foundations for Osteopathic Medicine

24 novembro, 2008

Tratamento Osteopático e Convencional na Neuralgia do Trigémio


Tratamento Conservador

O tratamento conservador da Neuralgia do Trigémio tem uma abordagem muito clínica, no sentido em que o controle da dor, considerada insuportável, é feito de imediato com doses altas de anticonvulsivantes e antipilépticos, que são também eficazes nas dores neuropáticas. Para a Neuralgia do Trigémio pensa-se que o mais eficaz seja a Carbamazepina ("Tegretol" e "Carbamazepina"), que é também prescrito para a Epilepsia e doença Bi-Polar.

Na indicação cirúrgica, normalmente de último recurso, existem dois procedimentos que têm sido os mais bem sucedidos. São eles a eletrocoagulação percutânea diferencial do trigémio e a microdescompressão vascular do trigémio.

Tratamento Osteopático
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Existem estudos feitos pela comunidade científica da área da Osteopatia, Fisioterapia, entre outras, que defendem que as prováveis alterações anatómicas, neurofisiológicas e biomecânicas no crânio, possam causar o aparecimento deste tipo de neuralgia facial (Eduardo André Louzeiro Lama e Flávia Maria Lessa Mélo).

Sutherland, o "pai" da Osteopatia Craniana, ou outros como Upledger, defendem que existe pulsação craniana através do líquido céfalo-raquidiano e um movimento correspondente, inter-sutural acompanhado por um ritmo respiratório. Também os académicos que investigam estas áreas, subscrevem a ideia de que existe esta micromobilidade entre os ossos que compõem o crânio e que o fenómeno disfuncional pode aparecer como em qualquer outra parte do corpo, ou seja, se existirem alterações por fixações das suturas cranianas, torna-se possível a diminuição da circulação do líquido céfalo-raquidiano e consequentemente a diminuição da mobilidade dos
nervos cranianos, de que faz parte o V par craniano, ou seja, o Nervo Trigémio (Eduardo André Louzeiro Lama e Flávia Maria Lessa Mélo).
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Como a lesão é craniana e cada ramo do nervo trigémio tem um canal ósseo trajectório, o tratamento Osteopático envolve técnicas cranianas com o objectivo de libertar as estruturas comprometidas, avaliando da mobilidade craniana, velocidade de pulsação do líquido céfalo-raquidiano, grau de fixação das suturas, etc. Estas técnicas pretendem promover o aumento da mobilidade neural periférica do crânio, libertando as suturas esfeno-frontal, esfeno-basilar, temporo-esfonoidal e temporoccipital.

As técnicas cranianas que se podem utilizar são várias mas não interessa descrevê-las aqui. Prefiro descrever a minha experiência com um paciente, que é bem explícita do resultado desta terapêutica. Este ano chegou ao consultório um paciente, cujo o diagnóstico feito pelo Neurologista era o de Neuralgia do Trigémio. O paciente tinha tido já vários surtos, nos últimos 2 anos, mas o ano corrente havia sido o pior. Tinham sido quase 11 meses de dor permanente. O senhor, militar de profissão, mal conseguia falar ou comer, estava pálido e por várias vezes fez uma cara de sofrimento tal, que acabou por ser a esposa que completou o resto da sua história. Orgulho-me de dizer que ao fim de 4 tratamentos, o paciente deixou por completo a medicação, coisa que não tinha acontecido nesse ano, falava, ria, comia e inclusivamente disse que há quase 1 ano não se sentia assim. Mesmo entendendo que o tratamento que fiz pudesse ser paliativo e não tenha tratado a causa própriamente dita, causa essa que continuava por descobrir em concreto, consegui dar uma qualidade de vida ao paciente que já não tinha há quase um ano. Espero continuar em tratamento e quem sabe...talvez fique mesmo curado!

05 outubro, 2008

Tratamento Osteopático na Osteoartrose



Hoje em dia, o conceito mais ou menos enraizado de que para a Osteoartrose não há respostas terapêuticas e que o melhor é suportar as dores está ultrapassado. Não existe uma terapêutica que possa curar ou inverter uma articulação degenerativa, no entanto, é possível nas fases iniciais, diminuir a dor e a rigidez articular, melhorar os movimentos e a capacidade funcional do paciente proporcionando-lhe uma melhor qualidade de vida. O protocolo terapêutico deverá ser adaptado a cada caso particular, dependendo da gravidade da situação, do numero de articulações afectadas, natureza dos sintomas, idade, ocupação e actividades diárias. Há evidência que o Sulfato de Glucosamina e a Condroitina previnem e não deixam evoluir a doença, o seu uso é portanto recomendado.

TRATAMENTO CLÍNICO OSTEOPÁTICO:

O tratamento da artrose é sintomático tendo como principal objectivo o alivio da dor, a restauração da função articular e a prevenção da incapacidade ou progressão da doença.

• Esclarecimento sobre a doença: salientar que a doença não é sinónimo de envelhecimento e está relacionada com a capacidade funcional, sendo que a intervenção terapêutica trará um aumento de qualidade de vida.

• Motivar e envolver o paciente no seu tratamento. O paciente é um protagonista activo no seu programa terapêutico.

• A prática de exercício deve ser estimulada e orientada por um profissional habilitado. O Osteopata tem conhecimentos de fisiologia, anatomia e biomecânica suficientes para poder aconselhar o seu paciente. Se não se sentir á vontade nesta área deve indicar um outro profissional mais experiente nesta matéria, para que possam trabalhar em conjunto.

Encaminhamento do paciente para um ginásio, onde acompanhado por um profissional devidamente qualificado, possa fazer:


»Exercícios activos com ou sem resistência para combater a hipotrofia. Um músculo forte alivia a carga exigida na articulação.

»Exercícios Aeróbios- Aumenta a capacidade de resistência muscular e devem ser preferencialmente sem impacto (bicicleta estática por ex).

»Alongamentos – A flexibilidade dos tecidos é essencial para combater a rigidez e aderências articulares.

• Orientação para cuidados com relação ao uso de rampas e escadas.

• Orientação com relação à ergonomia do trabalho doméstico e/ou profissional. O Osteopata deve aconselhar o paciente em como pode proteger a/as articulação/articulações na sua vida quotidiana.


ALGUMAS DAS TÉCNICAS USADAS EM OSTEOPATIA SÃO:

- Tracções (intermitentes e livres de dor- sensibilidade do terapeuta).

- Termoterapia e Crioterapia (São formas eficazes de diminuir a dor e a rigidez, ainda que temporariamente.Um banho quente pela manhã poderá melhorar significativamente o sofrimento e a rigidez matinal. A aplicação de frio ( crioterapia ), ajuda a diminuir a sensibilidade local e a reduzir a inflamação e o derrame intrarticular muitas vezes associado.).

- Massagem Profunda
(para eliminar contracturas da musculatura adjacente e respectiva cadeia muscular).


- Mobilizações articulares passivas/ Tracções (Conhecimento anatomia, fisiologia e sensibilidade do Osteopata).

14 março, 2008

Metatarsalgia, Síndrome de Morton e Neuroma de Morton.





METATARSALGIA


Dor sentida nas cabeças dos metatarsos, mais precisamente nos quatro últimos metatarsos. A dor e a formação de calo sob as cabeças metatársicas mediais decorrem da alteração da biomecânica da sustentação de peso. Entre as causas da metatarsalgia destaca-se: A Artropatia Inflamatória que pode provocar sinovite nas articulações metatarsofalângicas e processos mecânicos como a sobrecarga plantar ou o calçado inadequado.
Os sintomas característicos são: dor tipo mecânica (que aparece tanto em pé como na marcha); tumefacção na planta do pé (poderão aparecer calosidades na superfície plantar em todas as cabeças dos metatarsos) e por fim, existirá alteração significativa da marcha, pela dor provocada pela carga no ante pé, sendo assim, o paciente caminhará apoiando no retropé.

NEUROMA DE MORTON OU NEURINOMA DE MORTON

Usualmente no terceiro espaço interdigital, pelo facto de ser a união entre ramo lateral e medial dos nervos digitais plantares, o qual fica engrossado e comprimido pelo terceiro espaço. A presença de maior mobilidade no quarto espaço metatársico em relação ao terceiro favorece a ocorrência de microtraumas. A incidência é maior nas mulheres, acima de 40 anos, pela preferência em usar calçado de salto alto, o que favorece a compressão do nervo contra o ligamento intermetatársico pela hiperextensão da articulação metatarsofalângica.

SÍNDROME DE MORTON OU SÍNDROME DOLOROSO DO ESPAÇO INTERMETATÁRSICO

É uma metatarsalgia da segunda cabeça metatársica, que em função de o primeiro osso metatársico ser curto demais e o segundo mais longo, passa a sustentar o peso, provocando
espessamento do osso e consequentemente dor. A clínica consiste em dor aguda que piora com a marcha ou quando se fica na ponta dos pés.
Importa salientar que estas patologias são mais frequentes no sexo feminino do que no masculino, embora a prática clínica nos diga que, se ocorrer sobrecarga e/ou alteração mecânica do pé, a prevalência é igual para ambos os sexos.

Tratamento conservador

(Como exames complementares de diagnóstico, pode-se solicitar a radiografia, para exclusão de outras patologias como fractura por stress dos metatarsos, a Ecografia e/ ou Ressonância Nuclear Magnética.).

1. Uso de anti-inflamatórios orais na fase aguda.

2. Alterações na biomecânica: Uso de almofadas metatársicas específicas facilmente encontradas no mercado, para distribuição do peso aliviando a sobrecarga na região afectada.

3. A escolha do calçado é importante, e com isso, uma avaliação dos arcos plantares e da posição do seu pé na marcha, por isto, o aconselhamento com um podologista é valioso e o melhor tratamento é sempre multi-disciplinar.

4. Fisioterapia- Exercícios proprioceptivos: sendo aqueles que provocam desequilíbrios, cama elástica, andar em linha recta, giro-plano, agentes externos: Ultra- Sons, TENS, etc.

5. O tratamento cirúrgico às vezes é eficiente se outros tratamentos não obtiverem o resultado esperado.

Tratamento Osteopático

Manipulação/ Mobilização dos metatarsos e dos dedos, para aumentar mobilidade, espaço inter-metatársico, relação interface-nervo e drenagem de enxudado. 

Mobilização das estruturas biomecânicas de todo o membro inferior e cintura pélvica é crucial no entendimento da globalidade do paciente.

A manipulação dos tecidos mio-fasciais pode ser bom recurso.

A mobilização do nervo tibial e ramos plantares internos externos, associando ao tronco ciático.

Exercícios de fortalecimento e alongamento podem ser recomendados.