17 outubro, 2011

Osteopatia: Mais do que Técnicas Manipulativas Osteopáticas.

Enquanto Osteopata, na minha prática clínica, faço uma anamnese cuidada, um exame Clínico e Osteopático rigoroso, diagnostico e decido se posso tratar ou melhorar os sintomas do paciente. A duração do tratamento dependende se se trata de uma lesão aguda ou crónica, sendo este, puramente manual (embora se o Osteopata tiver outras valências pode muito bem usá-las para benefício do paciente). Usam-se as ditas Técnicas Manipulativas Osteopáticas (que são muitas), que dependem do diagnóstico, do tipo de tecido afectado e da cronicidade da disfunção. O Osteopata não se foca apenas na região sintomática e trata o paciente como um todo, correlacionando as alterações biomecânicas e interpretando informação tendo em conta os seus conhecimentos dos vários sistemas do corpo humano. Mas o tratamento Osteopático ultrapassa e vai muito para além das técnicas e do plano de tratamento. Como Osteopata partilho com os meus pacientes dicas e informação que considero importantes, promovendo a prevenção (dando responsabilidade também ao paciente) e que melhoram a sua saúde no geral. Aqui vão algumas:

> Sabe-se hoje, que a dor crónica é provavelmente fruto de uma alteração da neuroplasticidade provocada por estímulos contínuos no sistema nervoso, mesmo depois da região onde inicialmente existia patologia, estar curada (http://osteopatia-aartedotoque.blogspot.com/2011/06/dor-cronica-elliot-krane-mystery-of.html). A consciência destes mecanismos com a ajuda de algumas técnicas pode minimizar ou resolver o problema da dor crónica. É inegável, hoje em dia, que o lado emocional, a vondade de melhorar e o simples acto clínico de receber algum tipo de tratamento, provoca reacções internas que contribuem para o alívio dos sintomas (http://osteopatia-aartedotoque.blogspot.com/2011/01/placebo-sem-engano.html). Existem várias terapias e práticas que abordam e aprofundam este temas. A Programação Neuro-Linguística- NLP (Neuro-Linguistic Programming), as EFT (Emotional Freedom Techniques, em Português Técnicas de Libertação Emocional)l e técnicas específicas de meditação (mindfulness) são apenas algumas.

> Dormir bem. No sono são produzidas importantes hormonas que fortalecem o sistema imunitário e que são essencias para a saúde. Dormir 7 a 8h diárias tranquila e profundamente é essencial para optimizar a saúde e evitar a doença (http://osteopatia-aartedotoque.blogspot.com/2011/01/dicas-para-uma-boa-noite-de-sono.html).

> Suplementação vitamínica e mineral. Se puder e não for contra- indicado tome um suplemento ou tenha uma dieta inteligente e equilibrada. A vitamina D, por exemplo, é essencial. É uma vitamina tipo hormona que regula o cálcio e fósforo no sangue e a sua acção está associada a mais de 3000 genes, como ao metabolismo ósseo, depósito de cálcio nos ossos, aumento de células anti-inflamatórias, prevenção do crescimento anormal de células, prevenção de calcificações vasculares, etc. Recentes estudos associam a insuficiência de exposição solar e consequente diminuição de produção de vitamina D, com a prevalência de Artrites Inflamatórias, Esclerose Múltipla, Diabetes tipo 1, entre outras. A exposição solar (responsável), o óleo de figado de bacalhau, o atum e cereais são alguns dos alimentos ricos nesta vitamina.

Se tem Osteoporose as vitaminas D,K1,K2, são muito importantes na fixação do cálcio.15 a 20 min de sol diários, a cebola e ómega 3 tb são importantes na manutenção da densidade óssea.

O óleo de Krill e o CoQ10 são de vital importância no combate aos radicais livres, regeneração celular, manutenção da saúde cardíaca, nervosa, endócrina, etc.*

Existe evidência científica que o sulfato de Glucosamina e a Condroitina estabilizam a degeneração osteo-articular. É um óptimo tratamento preventivo para a Osteoartrose (http://osteopatia-aartedotoque.blogspot.com/2008/01/sulfato-de-glucosamina-mais-eficaz-e.html).

> Os benefícios do exercício físico adequado são irrefutáveis e do conhecimento geral. Tenha essa rotina nem que seja 3 vezes por semana, 30 min. Costumo dar exercícios domésticos individualizados aos meus pacientes, para terem a responsabilidade da prevenção e poderem assim minimizar ou neutralizar futuros episódios. A consciência da postura adequada, a dormir, no trabalho ou no dia a dia, adequando caso a caso, é outra das ferramentas que previnem e contribuem para a educação do paciente (http://osteopatia-aartedotoque.blogspot.com/search/label/Postura%20e%20Ergonomia%20no%20Trabalho).

> Por fim, não espere até não aguentar de dores para consultar o seu Osteopata. Quanto mais crónico for o problema mais demora a ser tratado. Beba muita água nos dias seguintes ao tratamento, se possível o dia do tratamento e o que precede, não deve ser muito activo e lembre-se que nas primeiras 48h é perfeitamente possível ficar dorido, ou parecer que houve uma ligeira pioria dos sintomas. Não se preocupe e informe o seu Osteopata de tudo.

* Os conselhos que dou são baseados no meu conhecimento e pesquisa, não são de maneira nenhuma receitas médicas, nem substituem o conselho ou consulta do seu médico.

11 outubro, 2011

Uma entrevista minha à SIC, no Jornal da Noite, sobre a Osteopatia e o processo de regulamentação em Portugal.


13 junho, 2011

Dor crónica- Elliot Krane: The mystery of chronic pain



A dor é um sintoma, um mecanismo de aviso que alguma coisa no nosso corpo não está bem. Em células especializadas os transmissores de dor viajam pelo sistema nervoso recolhendo e enviando informação. Na prática clínica em Osteopatia, vemos muitas vezes pacientes com dor crónica. O que a Medicina tem descoberto, é que existem mecanismos neurofisiológicos que alteram a neuroplasticidade de células, enviando sinais permanentes de dor, que podem persistir por tempo indeterminado, mesmo quando a causa primária já não existe. Enquanto Osteopata, acho importante conversar com os pacientes sobre estes mecanismos fisiológicos, com o objectivo de entenderem melhor o seu problema e alguns resultados "contraditórios".

O Dr. Elliot Krane fala sobre o complexo sistema da dor crónica, que de um sintoma passa a ser a doença.

13 janeiro, 2011

Placebo sem engano


Há muito tempo que se pensa que o efeito placebo resulta porque o paciente acredita estar a tomar um medicamento verdadeiro, contudo, outros estudos contestam este fenómeno ao concluírem que os placebos funcionam mesmo quando o paciente sabe que está a tomar um comprimido falso.


Investigadores, na sua maioria da Harvard Medical School, decidiram aprofundar os efeitos benéficos dos placebos num ensaio clínico em pacientes com Síndrome do Cólon Irritável (SCI). Para sua surpresa, perceberam que quase 60% dos pacientes a quem foi dado o placebo, com o conhecimento de que não era mais que um comprimido de açucar, declararam uma melhoria sintomática, comparando com 35% dos pacientes que não receberam tratamento. Ainda mais entusiasmante, é o facto de que mostraram o mesmo alívio de sintomas quando comparados com um grupo que tomava fármacos reais para o SCI.

Mas este estudo não é um caso isolado. O New England Journal of Medicine publicou um estudo que compara os resultados em pacientes com osteoartrose no joelho, em que um grupo foi submetido a artroscopia e outro a uma "cirurgia falsa". Os resultados foi que ambos declararam melhorias semelhantes nos seus sintomas.

Sabe-se hoje (ou melhor sempre se soube) que o acto terapêutico por si só contribui para a cura e alívio sintomático, mais ainda se o paciente acredita que vai ter resultados.

Ainda não se entende todos os mecanismos neurofisiológicos do efeito placebo, porém, há estudos que mostram o envolvimento do sistema nervoso central na descarga de 'neuro-hormonas e neurotransmissores' que inibem a dor e combatem a inflamação. A unidade 'consciência-corpo orgânico' tem a capacidade de alterar processos internos patológicos- alterando o comportamento celular- no sentido da cura, mesmo quando sabemos estar a tomar um comprimido falso e pela simples crença que vamos ficar melhor. Aliás, este é um dos princípios preconizados pelo pai da Osteopatia há mais de cem anos. O corpo tem a capacidade de se auto-curar e regular. Um dos papéis do Osteopata é também o de promover esse processo com o simples acto terapêutico.

Referência:
Placebos without Deception: A Randomized Controlled Trial in Irritable Bowel Syndrome http://www.plosone.org/article/info:doi/10.1371/journal.pone.0015591

27 setembro, 2010

Síndrome do Canal ou Túnel Cárpico e Tratamento Osteopático


O síndrome do canal ou túnel cárpico significa uma compressão do nervo mediano ao nivel do canal cárpico, no punho, um canal osteo-fibroso formado pelos ossos do carpo e pelo ligamento transverso do carpo.

O nervo mediano é um nervo misto, isto é, dá informação motora a alguns músculos da eminência tenar e intrínsecos da mão, assim como, informação sensitiva da região palmar da mão, da face palmar dos 3 primeiros dedos e metade do 4º e da face dorsal dos 4 primeiros dedos. Para além do nervo mediano, passam no canal cárpico os tendões dos músculos flexores dos dedos, sendo que as tenossinovites a este nível, no quadro das doenças reumáticas, sejam a causa mais conhecida do síndrome. Estas lesões, das baínhas e cápsulas articulares, são com frequência decorrentes de doenças reumatológicas como o Lúpus, a Gota Úrica e a Artrite Reumatóide, da qual o síndrome do canal cárpico pode ser uma manifestação inicial(as articulações precocemente envolvidas na AR, são as metacarpo-falângicas proximais do 2º e 3º dedos). Para além da doenças reumatológicas como possível causa do síndrome do túnel cárpico, há que incluir outras condições clínicas endócrino-metabólicas, como a diabetes, o hipotiroidismo, a amiloidose, a insuficiência renal, a acromegália e factores vocacionais/traumáticos como a fractura do punho, actividades profissionais/ atléticas com movimentos repetitivos de hiper-extensão, hiper-flexão do punho, exposição ao frio ou vibração e outros. Afecta mais as mulheres entre os 40 e 60 anos de idade, mas no homem os factores traumáticos são mais relevantes.

A clínica inicia-se com dores e parestesias nocturnas, no território do nervo mediano (face palmar da mão e 3 primeiros dedos, com dor na eminência tenar e interfalângicas distais do 2º e 3º dedos e, interfalângica próximal do 1º dedo), sendo por vezes mais difusas com irradiação ascendente (face ventral do antebraço) e associadas a movimentos. Numa fase mais tardia pode haver diminuição da força, principalmente em movimentos de precisão ou pega e posteriormente atrofia muscular. O paciente queixa-se muitas vezes de "sensação de inchaço" nos dedos e dor no pulso.

O exame neurológico é indicador de diagnóstico, tendo o Osteopata que ter um conhecimento profundo de neurofisiologia, anatomia e experiência clínica para o fazer, aliás, como o faz com todos os pacientes com sintomas de neuropatia. Os estudos de electrocondução nervosa sensitiva e a electromiografia são os meios de diagnóstico mais importantes e devem ser feitos se houver suspeita de patologia reumatológica ou se o paciente não responder à terapêutica.

O tratamento Osteopático utiliza técnicas de  abertura do canal cárpico, técnicas neurodinâmicas para o nervo mediano, técnicas miofasciais de todo o membro superior, técnicas que mobilizam a coluna cervical e tecidos adjacentes para permitir um melhor fluxo nervoso do plexo braquial (conjunto de nervos que saem da cervical para o membro superior), técnicas de mobilização da coluna toráxica e costelas para reduzir o fluxo simpático, aumentar o fluxo arterial e reduzir a congestão linfática.

Referências:
Reumatologia Clínica- Mário Viana de Queiroz
Foundations for Osteopathic Medicine, second edition