05 outubro, 2008

Tratamento Osteopático na Osteoartrose



Hoje em dia, o conceito mais ou menos enraizado de que para a Osteoartrose não há respostas terapêuticas e que o melhor é suportar as dores está ultrapassado. Não existe uma terapêutica que possa curar ou inverter uma articulação degenerativa, no entanto, é possível nas fases iniciais, diminuir a dor e a rigidez articular, melhorar os movimentos e a capacidade funcional do paciente proporcionando-lhe uma melhor qualidade de vida. O protocolo terapêutico deverá ser adaptado a cada caso particular, dependendo da gravidade da situação, do numero de articulações afectadas, natureza dos sintomas, idade, ocupação e actividades diárias. Há evidência que o Sulfato de Glucosamina e a Condroitina previnem e não deixam evoluir a doença, o seu uso é portanto recomendado.

TRATAMENTO CLÍNICO OSTEOPÁTICO:

O tratamento da artrose é sintomático tendo como principal objectivo o alivio da dor, a restauração da função articular e a prevenção da incapacidade ou progressão da doença.

• Esclarecimento sobre a doença: salientar que a doença não é sinónimo de envelhecimento e está relacionada com a capacidade funcional, sendo que a intervenção terapêutica trará um aumento de qualidade de vida.

• Motivar e envolver o paciente no seu tratamento. O paciente é um protagonista activo no seu programa terapêutico.

• A prática de exercício deve ser estimulada e orientada por um profissional habilitado. O Osteopata tem conhecimentos de fisiologia, anatomia e biomecânica suficientes para poder aconselhar o seu paciente. Se não se sentir á vontade nesta área deve indicar um outro profissional mais experiente nesta matéria, para que possam trabalhar em conjunto.

Encaminhamento do paciente para um ginásio, onde acompanhado por um profissional devidamente qualificado, possa fazer:


»Exercícios activos com ou sem resistência para combater a hipotrofia. Um músculo forte alivia a carga exigida na articulação.

»Exercícios Aeróbios- Aumenta a capacidade de resistência muscular e devem ser preferencialmente sem impacto (bicicleta estática por ex).

»Alongamentos – A flexibilidade dos tecidos é essencial para combater a rigidez e aderências articulares.

• Orientação para cuidados com relação ao uso de rampas e escadas.

• Orientação com relação à ergonomia do trabalho doméstico e/ou profissional. O Osteopata deve aconselhar o paciente em como pode proteger a/as articulação/articulações na sua vida quotidiana.


ALGUMAS DAS TÉCNICAS USADAS EM OSTEOPATIA SÃO:

- Tracções (intermitentes e livres de dor- sensibilidade do terapeuta).

- Termoterapia e Crioterapia (São formas eficazes de diminuir a dor e a rigidez, ainda que temporariamente.Um banho quente pela manhã poderá melhorar significativamente o sofrimento e a rigidez matinal. A aplicação de frio ( crioterapia ), ajuda a diminuir a sensibilidade local e a reduzir a inflamação e o derrame intrarticular muitas vezes associado.).

- Massagem Profunda
(para eliminar contracturas da musculatura adjacente e respectiva cadeia muscular).


- Mobilizações articulares passivas/ Tracções (Conhecimento anatomia, fisiologia e sensibilidade do Osteopata).

28 maio, 2008

Casos Clínicos: Diagnóstico Diferencial-Doença de Crohn



Rapariga de 24 anos de idade começa com quadro de dor em todos os membros, afectando exclusivamente as articulações: cotovelos, punhos, ombros, joelhos e tornozelos, que já durava uma semana, com um episódio febril de 39,5 º.


-O exame físico nada revelou a não ser um sopro mesossistólico.

-Um quadro de poliartralgia migratória foi caracterizado. Não havia história de amigdalite recente.

-Negava secreção vaginal, relações sexuais e não tinha diarreia, o que tornou o diagnóstico de uma artropatia reactiva pouco provável.

-O hemograma era normal. Foram solicitados factor reumatóide, FAN, VHS, VDRL, e a bioquímica usual. Todos os exames foram normais. Um quadro viral foi suspeitado.

-6 meses depois, ela volta ao Hospital com episódios intermitentes de dor abdominal difusa em cólica, vómitos e constipação recente. A hipótese de apendicite aguda foi imediatamente suspeitada. Uma laparoscopia teve resultado normal.

-No terceiro episódio, a ausência de ruídos hidroaéreos e uma radiografia de abdómen
sugeriu obstrução intestinal aguda. A hemoglobina era de 8,5, com VCM de 87,0, além de cálcio de 6,6 e albumina de 2,1.

-A suspeita de Doença de Crohn era certa. Uma USG abdominal evidenciou espessamento de íleo terminal. A colonoscopia com biopsia corroborou esse diagnóstico.

Casos Clínicos: Diagnóstico Diferencial- Leucemia



Um jovem de 17 anos é observado numa consulta domiciliar com o que aparentava ser uma lombociatalgia . Tinha chegado de férias com sintomas de gripe, febre e tosse.

Há três semanas que se sentia doente. O quadro clínico começou com dor nas costas severa e progressiva, irradiando-se para coxa esquerda, sendo mais intensa à noite.

Perdeu peso nas últimas semanas. Ao exame, apresentava-se anémico. Havia paresia e hipotrofia do quadricípete esquerdo, e o reflexo patelar estava ausente. Um diagnóstico clínico de hematoma pélvico adivinhava-se certo.

Estudos posteriores revelaram o diagnóstico de Leucemia.

14 março, 2008

Metatarsalgia, Síndrome de Morton e Neuroma de Morton.





METATARSALGIA


Dor sentida nas cabeças dos metatarsos, mais precisamente nos quatro últimos metatarsos. A dor e a formação de calo sob as cabeças metatársicas mediais decorrem da alteração da biomecânica da sustentação de peso. Entre as causas da metatarsalgia destaca-se: A Artropatia Inflamatória que pode provocar sinovite nas articulações metatarsofalângicas e processos mecânicos como a sobrecarga plantar ou o calçado inadequado.
Os sintomas característicos são: dor tipo mecânica (que aparece tanto em pé como na marcha); tumefacção na planta do pé (poderão aparecer calosidades na superfície plantar em todas as cabeças dos metatarsos) e por fim, existirá alteração significativa da marcha, pela dor provocada pela carga no ante pé, sendo assim, o paciente caminhará apoiando no retropé.

NEUROMA DE MORTON OU NEURINOMA DE MORTON

Usualmente no terceiro espaço interdigital, pelo facto de ser a união entre ramo lateral e medial dos nervos digitais plantares, o qual fica engrossado e comprimido pelo terceiro espaço. A presença de maior mobilidade no quarto espaço metatársico em relação ao terceiro favorece a ocorrência de microtraumas. A incidência é maior nas mulheres, acima de 40 anos, pela preferência em usar calçado de salto alto, o que favorece a compressão do nervo contra o ligamento intermetatársico pela hiperextensão da articulação metatarsofalângica.

SÍNDROME DE MORTON OU SÍNDROME DOLOROSO DO ESPAÇO INTERMETATÁRSICO

É uma metatarsalgia da segunda cabeça metatársica, que em função de o primeiro osso metatársico ser curto demais e o segundo mais longo, passa a sustentar o peso, provocando
espessamento do osso e consequentemente dor. A clínica consiste em dor aguda que piora com a marcha ou quando se fica na ponta dos pés.
Importa salientar que estas patologias são mais frequentes no sexo feminino do que no masculino, embora a prática clínica nos diga que, se ocorrer sobrecarga e/ou alteração mecânica do pé, a prevalência é igual para ambos os sexos.

Tratamento conservador

(Como exames complementares de diagnóstico, pode-se solicitar a radiografia, para exclusão de outras patologias como fractura por stress dos metatarsos, a Ecografia e/ ou Ressonância Nuclear Magnética.).

1. Uso de anti-inflamatórios orais na fase aguda.

2. Alterações na biomecânica: Uso de almofadas metatársicas específicas facilmente encontradas no mercado, para distribuição do peso aliviando a sobrecarga na região afectada.

3. A escolha do calçado é importante, e com isso, uma avaliação dos arcos plantares e da posição do seu pé na marcha, por isto, o aconselhamento com um podologista é valioso e o melhor tratamento é sempre multi-disciplinar.

4. Fisioterapia- Exercícios proprioceptivos: sendo aqueles que provocam desequilíbrios, cama elástica, andar em linha recta, giro-plano, agentes externos: Ultra- Sons, TENS, etc.

5. O tratamento cirúrgico às vezes é eficiente se outros tratamentos não obtiverem o resultado esperado.

Tratamento Osteopático

Manipulação/ Mobilização dos metatarsos e dos dedos, para aumentar mobilidade, espaço inter-metatársico, relação interface-nervo e drenagem de enxudado. 

Mobilização das estruturas biomecânicas de todo o membro inferior e cintura pélvica é crucial no entendimento da globalidade do paciente.

A manipulação dos tecidos mio-fasciais pode ser bom recurso.

A mobilização do nervo tibial e ramos plantares internos externos, associando ao tronco ciático.

Exercícios de fortalecimento e alongamento podem ser recomendados.

07 novembro, 2007

Síndrome de dor lombar crónica: um estudo piloto comparando acupunctura, anti-inflamatórios não esteróides e manipulação vertebral


Síndrome de dor lombar crónica: um estudo piloto comparando acupunctura, anti-inflamatórios não esteróides e manipulação vertebral


Giles, L. G. Muller, R., Chronic spinal pain syndromes: a clinical pilot trial comparing acupuncture, a nonsteroidal anti-inflammatory drug, and spinal manipulation. Journal Manipulative Physiol Ther 1999; 22(6): 376-81


Objectivo: Comparar a acupunctura (de agulhas), a medicação (tenoxicam com ranitidina) e a manipulação vertebral nas crónicas de coluna lombar (superior a 13 semanas de duração). 


Modelo: Estudo prospectivo, randomizado com avaliação pré-intervenção e pós-intervenção independente. 

Local: Clínica especializada em dores de coluna em Townsville General Hospital, Queensland, Austrália. 

Sujeitos: 77 pacientes (sem contra-indicação para a manipulação ou medicação).

Protocolos de intervenção: acupunctura por agulha, medicação anti-inflamatória não-esteróide ou manipulação vertebral. 

Medidas de resultado: medidas de resultado foram as mudanças (4 semanas vs. visita inicial) nas pontuações do: 1) Index de incapacidade de dor lombar de Oswestry, 2) Index de incapacidade cervical e 3) três escalas visuais de intensidade da dor local. 
Resultados:  Após um período de 30 dias após a intervenção, a manipulação vertebral foi a única intervenção que obteve resultados estatisticamente significantes (percentagem de mudança das pontuações iniciais) sendo (1) uma redução de 30,7% na escala Oswestry, uma melhora de 25% na escala de incapacidade cervical e (3) reduções na escala visual de dor de 50% para dor lombar, 46% para torácica e 33% na dor cervical. 
Nenhuma das outras intervenções mostrou uma melhora significante em qualquer das medidas. 


Conclusão: A consistência do estudo prova que em pacientes com síndrome de dor lombar crónica, a manipulação vertebral (se não for contra-indicada) tem resultados superiores à acupunctura e medicação, na melhoria dos sintomas do paciente.